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Em Feira, Jaques Wagner diz que recusou propostas da Odebrecht: 'Estou tranquilo'

Ele esteve em Feira de Santana para participar do Congresso da Agricultura Familiar, Terra e Produção de Alimentos.
20/04/2017 13h58
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Daniela Cardoso

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, esteve em Feira de Santana na manhã desta quinta-feira (20), para participar do Congresso da Agricultura Familiar, Terra e Produção de Alimentos.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Durante o evento, ele falou sobre as acusações feitas contra ele de ter recebido dinheiro da Odebrecht para se beneficiar politicamente. Jaques Wagner disse ao Acorda Cidade que está tranquilo e revelou que recusou propostas que beneficiariam a Odebrecht em obras quando era governador da Bahia.

“A obra do metrô, que foi a maior do meu governo, eles sequer entraram na licitação. Queriam que eu colocasse um bilhão de reais a mais e eu não coloquei. A obra da Via Expressa, que foi a primeira grande do meu governo, eles também não entraram na licitação. Queriam que eu garantisse que a obra seria deles e eu disse que no meu governo era licitação. Outra empresa ganhou com 18% de desconto. Assim que cheguei no governo, em 2007, praticamente meu primeiro ato foi cancelar o que a Odebrecht tinha com o governo anterior, que foi o processo do Emissário Submarino da Boca do Rio”, revelou.

Jaques Wagner diz que os delatores estão falando de doações para campanhas, mas não apontam obras superfaturadas na Bahia durante o governo dele, porque, segundo o ex-governador, não existem.

“Vamos esperar, pois por enquanto só tem notícias de delatores que, para se safar da prisão, dizem o que querem, verdades e mentiras. As doações de campanhas foram feitas e estão todas estruturadas e eu deixo uma pergunta no ar: Quero saber quem é o delator que tenha uma obra superfaturada na Bahia para apontar? Se apontarem alguma, eu calo minha boca”, disse.

O secretário disse ainda que é a favor do fim da corrupção, mas afirma que do modo como as denúncias estão sendo feitas, as empresas e os empregos estão se acabando e é o Brasil que está perdendo.

“Eu concordo com o combate à corrupção, mas não podemos matar a economia brasileira. Infelizmente segmentos da imprensa nacional querem fazer espetáculo com o que está acontecendo e o Brasil está se afundando. São 100 mil desempregados só da Odebrecht. Estamos fazendo as coisas mal feitas. No meu governo não tem nenhum escândalo de corrupção, ao contrário, quando teve a gente mesmo mandou investigar. Só que não podemos jogar água suja com a criança fora. A criança é o Brasil e não podemos jogar fora as empresas que geram empregos e riqueza”, defendeu durante entrevista ao Acorda Cidade.

Sobre a denúncia de um dos delatores de que ele teria mediado o pagamento de uma dívida da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb) para a Odebrecht, o ex-governador negou. Ele afirmou que o estado foi condenado pelo judiciário a pagar essa dívida e disse que se tem alguma coisa errada com o pagamento “vai ter que prender muita gente do judiciário”.

“O judiciário que condenou o estado a pagar uma dívida antiga do ano de 1989 e 1990 com a empresa. A dívida, segundo os cálculos judiciários, era de um bilhão e quatrocentos mil reais e nós fizemos um acordo para pagar duzentos e oitenta milhões de reais em cem parcelas, em oito anos, então na verdade só fiz beneficiar. Não mediei nada”, declarou.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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